Lara Caiado

    Lara Caiado
    1,60m
    Olhos castanhos

    Inglês – bom
    Canto e natação

    À procura de agente

    lara.leal.caiado@gmail.com \\ @laracaiadoo

    ***

    1- É incrível como uma criança pode ser tão brilhante, Jacobi Jupe mostra em “Hamnet” como as emoções conseguem fluir sem que seja necessário forçá-las, uma criança fantástica com uma disponibilidade deslumbrante, é impossível não admirar este pequeno-grande ator! No mesmo seguimento, falo também da atriz Jessie Buckley, que consegue mostrar emoções totalmente primordiais e cruas, algo de fazer cair o queixo. Em mente tenho ainda a Rita Blanco, com a sua presença que penetra, e Beatriz Batarda, que é um furacão. E tenho tantas mais atrizes e atores que gostava de mencionar, mas é necessário também falar do trabalho do realizador Ryan Coogler em “Sinners” que mistura simbologia, fantasia, metáfora e história; o trabalho de Rose Glass em “Love Lies Bleeding” com um toque mágico de surrealismo. Admiro encenadores como o grande Tiago Rodrigues com “No yogurt for the dead” – algo para mim extremamente vulnerável e verdadeiramente bonito – e Catarina Lacerda, com “Motion” que misturou metodologias do teatro e da dança com artes visuais, quebra a quarta parede e é lindo poder presenciar tudo isso.

    2- Parte do trabalho do ator é poder dar voz a quem não a tem. Somos contadores de histórias e damos vida a alguém que não existe, mas que passa a existir a através de nós, ou que já existiu e deixou algo para dizer. Somos proliferadores da palavra, portanto representar é ser um veículo de emoções, de memórias, de um imaginário, tudo isto para gerar pensamento e fazer sentir algo ao espectador.

    3- Sinto-me mais confortável em palco, talvez por ter sido o meu ponto de partida. Estar diante de uma câmara pode assustar, mas não deixa de ser bonito ver através de uma lente a vulnerabilidade de um ator. Acho que o meu objetivo é ficar igualmente confortável nos dois porque adoro o trabalho para câmara, mas onde não há desconforto não há desafio, e eu gosto sempre de um bom desafio 😉

    4 – Estes três anos que passei na ACT foram transformadores, a Lara que entrou e a Lara que vai sair são duas pessoas totalmente diferentes, a maneira como o trabalho do ator nos muda é incrível. Sempre achei que era vulnerável até me aperceber que não deixava que me vissem. Tentei sempre passar entre os pingos da chuva como a Sara uma vez me disse e, quando me comecei finalmente a permitir, foi como se fizesse um click. Foi algo muito gradual e tive muitos professores que me mostraram que estava tudo bem em errar e não ser perfeita, que representar também é brincar – tive a Sofia e o Nuno no início, que me ajudaram a desinibir, a Inês que me ensinou a ter mais rigor, a Elsa que me fez ter mais luz e me ajudou a conectar mais com as emoções, a Batarda que me fez querer ir mais a fundo nas personagens e me fez perceber que não devo sempre querer agradar os outros, a Pétronille que me fez sair todos os dias da minha zona de conforto e me fez sentir vista e apreciada. Levo comigo não só memórias, mas aprendizagem, vontade de querer fazer sempre melhor, de querer evoluir todos os dias um bocadinho e aceitar que errar também é bom.