Pedro Cortez

    Pedro Cortez
    1,78m
    Olhos castanhos
    Inglês e Castelhano – fluente
    Eslovaco – bom
    Carta de condução
    Snowboard, canto, lutas cénicas

    À procura de agente

    pcortezsousa@gmail.com // @pedrocortezn

    ***

    1 –João Pedro Vaz, em “Tempestade Ainda”, de Peter Handke, com encenação de João Lourenço, no Teatro Aberto. Cativou-me, como sempre me cativa nele, o uso da palavra, como comunica e como se relaciona com a voz. Há uma força na sua serenidade.

    O ator João Tempera, em “O Homem-Almofada”, de Martin McDonagh, com encenação de Miguel Sopas, no Auditório Municipal do Seixal. Impressionou-me a profundidade a que foi, em palco. Impressionou-me como mergulhou e como me arrastou com ele para um lugar onde não queria estar. Não precisou de palavras para me transportar até esse local, a magnitude com que as vivenciou no palco abriram por si só os portões à dor e ao conflito interno que estava dentro de si.

    O cineasta Asghar Farhadi, com a sua obra “A Separation”. Gosto, como é comum no cinema Iraniano, que se criem produtos afastados dos moldes Hollywoodescos. A ambiguidade ética das personagens e a ausência de personagens-tipo (e.g. o protagonista herói) provocam em mim o constante reavaliar do caráter de quem se apresenta perante a câmara. Não há heróis. Gosto, sobretudo, de assistir às performances contidas que me apresenta, capazes de me impactarem sem recorrerem a excessos.

    A arte de João Pedro Vaz, de João Tempera e de Asghar Farhadi são algumas das muitas referências encontradas para o ator-criador que trabalho para um dia ser. O poder da palavra, a força do subtexto, como navegam nos conflitos morais ou como driblam os momentos de desconforto com momentos de controlo são qualidades que reconheço em todas estas referências. Mais do que isso, gosto de como me apresentam as suas emoções: interna e silenciosamente; escondidas, com vergonha de existirem e, até talvez, de serem sentidas.

    2 – Representar é estar presente, permeável e vulnerável.

    3 – Aprendi a encontrar conforto tanto num ambiente de trabalho como no outro – palco e câmara. No palco exploro o espaço com a propriedade de quem pode ser guiado pelos impulsos do corpo com maior liberdade; o instinto toma controlo do meu corpo com menor hesitação e só assim, disponível, a personagem se poder servir verdadeiramente de mim. Num set de filmagens, procuro priorizar as subtilezas dos pequenos detalhes, o que só é possível exercitando muito a minha escuta. É um controlo delicado, o que torna a experiência diante da câmara mais crua, já que aos olhos de uma lente o menos é sempre, sempre mais.

    4 – Levo comigo segurança. A disciplina no trabalho e o arregaçar de mangas trilham qualquer caminho quando nos queremos superar, seja como intérprete, como criador ou no que for. Levo da escola ferramentas para a viagem de uma vida: consciência da respiração como motor de arranque, consciência do silêncio e da escuta para estar presente em cena e consciência do corpo como veículo de expressão artística.
    Levo comigo agradecimentos, também. Agradeço, com orgulho por pertencerem ao meu percurso, aos formadores que me desafiaram a superar a mim mesmo com muita urbanidade, hombridade, respeito e tato com que trabalhavam a cada aula (não há qualificação para formadores de Profissionais da Área da Cultura – ou de qualquer outra área – que não apresentem a mesma verticalidade). Em particular, agradeço a Elena Castilla, Inês Nogueira, Sofia de Portugal, Miguel Sopas, Pedro Carraca, Simão Cayatte, Pétronille de Saint-Rapt, Nuno Nunes e Miguel Fragata. Partem comigo todos eles. Se eu cresci nesta escola, a eles o devo. Quero agradecer à turma 2023/2026 pelo companheirismo ao longo do caminho. Quero, ainda, agradecer, acima de tudo, à minha mãe, Isabel Garcia, e ao meu pai, Carlos Sousa, por me terem apoiado nesta loucura. Obrigado.